Semaglutida brasileira a R$ 452: a EMS confirmou preço e data do Ozivy.

Primeira caneta nacional com aprovação da Anvisa chega às farmácias em 15 de junho. O que está sendo vendido, por quanto e o que ainda não está claro.

Anandah Valente

6/4/20263 min read

A patente da semaglutida venceu em 20 de março. Pouco mais de dois meses depois, a EMS confirmou data, preço e condições de venda do Ozivy — a primeira caneta com esse princípio ativo produzida no Brasil a receber aval regulatório. O produto chega às farmácias em 15 de junho, com preço inicial de R$ 452 por caneta.

Para quem paga hoje entre R$ 800 e R$ 900 pelo Ozempic, a diferença é considerável. Mas antes de comparar os dois, vale entender o que os separa.

Sintética, não biológica — e isso importa

O Ozempic usa semaglutida de origem biológica, produzida a partir de organismos vivos em processos industriais complexos. O Ozivy usa semaglutida sintética — obtida por síntese química.

Ambas têm o mesmo princípio ativo e o mesmo mecanismo de ação. A diferença está no processo de fabricação, não no efeito clínico esperado. A Anvisa avaliou e aprovou o produto, o que significa que a agência considerou os dados de qualidade, segurança e eficácia suficientes para autorizar a comercialização.

O que ainda não existe, pelo menos publicamente até o momento, são estudos de longo prazo comparando diretamente o desempenho do Ozivy com o do Ozempic em populações brasileiras. Isso não invalida o produto — é o percurso normal de qualquer medicamento novo no mercado. Mas é uma informação que vale ter em mente.

O que a Anvisa aprovou, exatamente

Quatro apresentações foram aprovadas:

  • Solução injetável 1,34 mg/ml — 1,5 ml + 1 caneta + 6 agulhas

  • Solução injetável 1,34 mg/ml — 3 ml + 2 canetas + 10 agulhas

  • Solução injetável 1,34 mg/ml — 1,5 ml + 1 caneta + 4 agulhas

  • Solução injetável 1,34 mg/ml — 3 ml + 2 canetas + 8 agulhas

A administração é semanal, por injeção subcutânea — igual ao Ozempic. O medicamento precisa ser mantido em geladeira, entre 2 °C e 8 °C, antes e depois de aberto.

Os preços e os pacotes

A EMS estruturou a entrada no mercado com condições escalonadas:

  • Preço avulso por caneta: R$ 498

  • Com adesão ao Programa Vida + Leve (EMS Saúde): R$ 452 por caneta

  • Pacote dos 3 primeiros meses: R$ 863,23 no total — média de R$ 287 por mês

  • Pacote duplo com canetas de 1,0 mg: R$ 896 — sem data definida para chegada às prateleiras

O R$ 452 mais citado na imprensa, portanto, está vinculado à adesão ao programa de fidelidade da própria empresa — não é o preço de balcão padrão. Vale conferir as condições antes de ir à farmácia.

A CMED fixou o teto regulatório em R$ 1.077,79 para a apresentação com duas canetas. A EMS disse que vai praticar preços 30% abaixo da concorrência estrangeira. O Conselho Federal de Farmácia registrou a projeção de que as versões menores devem ficar em torno de R$ 630 ao consumidor, já com impostos — que variam por estado.

Quanto vai ter disponível e onde

O primeiro abastecimento prevê mais de 500 mil canetas, com distribuição pelas principais redes de farmácias. A EMS estima vender 1,2 milhão de doses no primeiro ano, com faturamento projetado de R$ 500 milhões.

São números que mostram a aposta da empresa — e também a escala da demanda que o mercado está tentando absorver. Nas primeiras semanas, pode valer confirmar disponibilidade antes de ir até a farmácia.

O caminho até o SUS ainda é longo

A Anvisa deixou claro: a aprovação do Ozivy não abre automaticamente as portas do SUS. Para isso, o medicamento precisa passar pela avaliação da Conitec — Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS — e ser aprovado pelo Ministério da Saúde. São etapas separadas, com critérios próprios, e que levam tempo.

O argumento do custo, que antes inviabilizava qualquer discussão sobre incorporação da semaglutida na rede pública, agora tem outros números para trabalhar. Se e quando isso vai se traduzir em acesso pelo SUS é uma pergunta que ainda não tem resposta.

O que não muda

O Ozivy exige prescrição médica. É indicado para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, sempre em associação a dieta e atividade física. O vice-presidente da EMS foi direto ao ponto no lançamento: num primeiro momento, o foco é o paciente diabético.

O uso para controle de peso, dentro do contexto clínico dos agonistas do GLP-1, segue dependendo de avaliação médica individual — independentemente de qual versão do medicamento esteja disponível ou de quanto custe a caneta.

Informações com base em comunicado oficial da EMS, dados regulatórios da Anvisa e da CMED, Conselho Federal de Farmácia e Rádio Itatiaia — junho de 2026.

Encaminha pra quem está acompanhando esse assunto. Tem bastante detalhe aqui que não aparece nas manchetes.

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